quarta-feira, junho 06, 2007

Tip of the day

Hoje acordei, como costumam dizer meus amigos, "amável". Realmente amável, by the way, tudo que há de pior no ser humano. Quando amanheço desse jeito, ou melhor, nessa intensidade de amabilidade, não são os outros o alvo da minha (implacável?) bile, mas eu mesmo. E essa é a dica preciosa de hoje.

Mas o que é realmente interessante nesses dias (mentira) é como começam, meio que deslocados. Como se a realidade tivesse girado alguns graus no sentido anti-horário (porque giros no sentido horário não abalam a percepção, ao menos não desse jeito).

E a terapia é estranha. A cura é aleatória. No entanto, nunca é completa. Deve-se esperar o dia passar. Mas normalmente música esquisita, Henry Miller e o nono mandamento pedindo para ser quebrado, sentado aqui do meu lado no computador da bibioteca, costumam servir de paliativos.

terça-feira, junho 05, 2007

Pouca saúde, muita saúva....

A solução para o Brasil não existe (espanto!). Mas tampouco existia para a França e ainda assim conseguiram os franceses se redimir:


Ela é Alizée. Por favor poupem-me de piadas envolvendo a moça e a natural sucetibilidade francesa aos ataques-relâmpago (blitzkrieg). Fica a menina de exemplo para o país de Pelé, Robinho e Mário Ferreira do Santos (lateral esquerdo do glorioso alvinegro praiano nos idos de 1950; não confundir com Mário Ferreira dos Santos, filósofo).

domingo, junho 03, 2007

Os problemas da modernidade


E eis que Lindsay (tratada nesse blog em vista de sua amizade com Paris) começa seu tratamento com a galera torcendo contra. A modernidade é assim: como todos têm problemas, uns não querem que os outros resolvam os seus. Principalmente se os outros forem famosas, ricas e gostosas.

Recuso-me a ser assim. Lindsay, meus melhores pensamentos estão com você. E com a Britney também. Contem comigo.

segunda-feira, maio 28, 2007

É sério

Só eu percebo quão óbvio (e estúpido) é tudo isso?

No fim dos tempos estarão todos chorando e eu a gritar "Eu disse, eu disse!" Logo antes de ser morto por um dos cavaleiros do apocalipse que dizem Ni.

domingo, maio 20, 2007

You don't need a weather man to know which way the wind blows


Já tenho o Ray-Ban e já tenho a gaita. As placas eu consigo fazer em casa. Agora só me falta o talento.

quinta-feira, maio 17, 2007

Meus heróis

Um homem precisa de pessoas em quem se espelhar. Precisa de exemplos de moral. Precisa de alguém que sirva de modelo em momentos de dúvida e em dilemas.

Por todos esses nobres motivos listo abaixo meus heróis. Um conjunto de homens que se todos considerassem modelo o mundo seria bem melhor.






1) Platão e Aristóteles - Eles, juntamente com Sócrates, provocaram o maior salto presenciado pela inteligência humana.



2) Horácio, Primeiro Visconde Nelson, Vice-Almirante - Horácio Nelson é um dos maiores estrategistas navais da História. Talvez o maior. Pelas suas revolucionárias manobras, pelo seu chapéu barato-total e por ter chutado a bunda dos franceses, Nelson merece um lugar nessa lista.


3) Adam Smith - O economista original.



4) Winston Churchill - "No capitalismo, o homem é explorado pelo homem; no comunismo ocorre o contrário."


5) Machado de Assis - Ousou ser inteligente no Brasil. Acabou abrindo o caminho para muitos outros (tal que muitos é igual a 3).




6) Milton Friedman - O maior economista do século XX. Defensor das liberdades individuais e do livre-mercado. Não só ganhou um Nobel, como também ensinou gerações de ganhadores do Nobel.


7) Elvis Presley - Antes de todos, Elvis já havia feito tudo.



8) Bob Dylan - Bob Dylan.


9) Ferris Bueller - Fez tudo aquilo e ainda vivia nos anos 80.




10) Cláudio Haddad - Inteligente, Ph. D., bilionário e simpático.




11) Obi-Wan Kenobi - Dominava o Código Jedi.



12) Batman - He is the fucking Batman.

quarta-feira, maio 02, 2007

It's only rock'n'roll

Is it? Porque se eu bem me lembro da discussão, a conclusão é que o rock tem sim Sympathy for the Devil, mas tem também, e com a mesma banda, Shine a Light. É uma questão de escolha (quem diria?!).

E tudo isso tem a ver comigo como ser vivo nesse exato momento. Porque se por um lado meu estômago se uniu com meu cérebro em Sympathy; minha alma, por outro, se impulsiona em direção a Shine a Light. E você?

E você?

sábado, abril 28, 2007

Tragédia e Farsa



(19/03/2005)



(28/04/2007)

sábado, abril 21, 2007

Tostines (sabor metafísica)

Tentei uma vez. Tentei de novo. Não rolou. Peço desculpas.

Porque tem uma galerinha que passa pelo mundo como que saltitando. Seja saltitando mesmo, seja enchendo a cara, ou estourando o cartão de crédito, ou feeling sorry for themselves nas linhas dos blogs e nos divãs dos analistas. Diminuem porque não percebem as coisas grandes ou não percebem as coisas grandes porque vêm diminuindo?

Não sei. Resta Auden.

Atlantis

Being set on the idea
Of getting to Atlantis,
You have discovered of course
Only the Ship of Fools is
Making the voyage this year,
As gales of abnormal force
Are predicted, and that you
Must therefore be ready to
Behave absurdly enough
To pass for one of The Boys,
At least appearing to love
Hard liquor, horseplay and noise.

Should storms, as may well happen,
Drive you to anchor a week
In some old harbour-city
Of Ionia, then speak
With her witty scholars, men
Who have proved there cannot be
Such a place as Atlantis:
Learn their logic, but notice
How its subtlety betrays
Their enormous simple grief;
Thus they shall teach you the ways
To doubt that you may believe.

If, later, you run aground
Among the headlands of Thrace,
Where with torches all night long
A naked barbaric race
Leaps frenziedly to the sound
Of conch and dissonant gong:
On that stony savage shore
Strip off your clothes and dance, for
Unless you are capable
Of forgetting completely
About Atlantis, you will
Never finish your journey.

Again, should you come to gay
Carthage or Corinth, take part
In their endless gaiety;
And if in some bar a tart,
As she strokes your hair, should say
"This is Atlantis, dearie,"
Listen with attentiveness
To her life-story: unless
You become acquainted now
With each refuge that tries to
Counterfeit Atlantis, how
Will you recognise the true?

Assuming you beach at last
Near Atlantis, and begin
That terrible trek inland
Through squalid woods and frozen
Thundras where all are soon lost;
If, forsaken then, you stand,
Dismissal everywhere,
Stone and now, silence and air,
O remember the great dead
And honour the fate you are,
Travelling and tormented,
Dialectic and bizarre.

Stagger onward rejoicing;
And even then if, perhaps
Having actually got
To the last col, you collapse
With all Atlantis shining
Below you yet you cannot
Descend, you should still be proud
Even to have been allowed
Just to peep at Atlantis
In a poetic vision:
Give thanks and lie down in peace,

Having seen your salvation.
All the little household gods
Have started crying, but say
Good-bye now, and put to sea.
Farewell, my dear, farewell: may
Hermes, master of the roads,
And the four dwarf Kabiri,
Protect and serve you always;
And may the Ancient of Days
Provide for all you must do
His invisible guidance,
Lifting up, dear, upon you
The light of His countenance.

(W. H. Auden)

sexta-feira, abril 20, 2007

Cretinices

Ibmec-SP, sala 212, hoje, 10:ooh.

PROFESSOR - Eu trouxe minha bola de basquete, a gente podia estreiar a quadra hoje à tarde.
ALUNO 1 - Boa idéia.
ALUNO 2 - Eu topo.
ALUNO 3 - Eu também, mas só jogo se o Professor XXXXXXXX jogar.
PROFESSOR - O XXXXXXXX não pode jogar. Ele vai fazer uma operação no coração.
ALUNA 1 - Ele tem coração?

quinta-feira, abril 12, 2007

"Por que niguém gosta de mim?"

O mundo ideal seria composto única e exclusivamente por autores reclusos, Pynchons e Salingers, todos a andar por aí dizendo: "Não encham o saco, deixem-me escrever livros."

Mas o mundo não é assim. Então aconselho: Do it yourself, screw it yourself. Just don't bother me with your self.

quinta-feira, abril 05, 2007

Amanhã é meu aniversário

Portanto eu posso baixar o nível:

"(...) pois o tempo leva consigo todas as coisas, e pode transformar o bem em mal e o mal em bem."
(Maquiavel, O Príncipe)


E no post anterior tinha lá algo sobre a esperança. E, sinceramente, eu tenho esperança. Um pouco pelo menos. E só o tempo para confirmá-la ou não. Acho.

Anyway, eu espero. Não é mesmo a paciência uma das virtudes que eu gosto de exercitar?

Filosofaremos na sombra, então

Preguiça, viu? Ontem eu tive que explicar para uma economista formada (ou quase) que só porque produtores não operam em intervalos de produtos marginais negativos, não quer dizer que tais intervalos não exitam (nevermind the economics). Seria algo como explicar que só porque médicos não fazem cirurgias em órgãos saudáveis não quer dizer que órgãos saudáveis não existam.

O mundo está meio burro. Mas hoje vai passar o último episódio de The O.C. e isso meio que me dá esperança. A esperança foi o que restou na Caixa de Pandora, contudo.

Esperança: misturando suco de laranja concentrado e gasolina (nas proporções corretas) pode-se produzir napalm.

E napalm será necessário. Necessário porque está cada vez mais difícil encontrar alguém que assista a um filme, leia um livro e entenda direitinho. Que pense além dos esquemas básicos. Ou que pense. Porque pensar diferente também não resolve nada (mais sobre isso um dia, talvez): "Eu resolvi o exercício de um jeito diferente. Mas deu errado" (a mesma economista).

Para terminar: se você tem a "sua" verdade, não tem o "meu" respeito.

sábado, março 31, 2007

Envelheça na cidade

Já passou da meia-noite e não consegui desejar meus parabéns ao Guiga. Malditos controladores de vôo, por assim dizer. Desejo-os por aqui, portanto.

Caro Guiga, muitas felicidades à você nessa queridíssima data. Você é demais. Mais muitos outros aniversários para você. Que sua esposa seja fértil e seu primeiro filho um varão. Que seus campos sejam abençoados por fartas colheitas.

quinta-feira, março 29, 2007

No use for a title

Porque os estímulos contraditórios deixam os cães, os homens e os virtuosos loucos. Como cão, homem ou virtuoso, segue que eles também me enlouquecem. What goes on in your mind, my dear? Basta uma palavra para descrever o conjunto de suas crenças, escritas e ações: inconsistência. Mas qualquer conclusão é válida a partir de um cunjunto inconsistente de premissas.

Então eu espero. No longo-prazo ("t -->+00"), as coisas se acertam. Questão metodológica. E de fé.

sábado, março 24, 2007

Diagolando

- E a, Luiz? Vai no show do Roger Waters?
- Não vou não.
- Mas por que?
- Tenho mais de quinze e menos de quarenta anos.

domingo, março 18, 2007

Pois bem

"Eu queria, mas a gentileza faz mal à literatura. De gentileza em gentileza estamos destruindo tudo. Se ficarmos protegendo todas as senhoras que escrevem livros a literatura brasileira será, em cinquenta anos, uma biblioteca inteira de senhorinhas que escrevem sobre suas experiências sexuais.

Não peço mais nada dos críticos além da hombridade de dizer: “tia, por favor, não escreve “pau” que eu fico constrangido”". (Alexandre Soares Silva)

Eu tenho uma relação de amor e ódio com esses autores que escrevem o que eu gostaria de ter escrito, mas enfim. O único erro, contudo, é acreditar que em cinquenta anos ainda haverá literatura brasileira.

E se você levar a parte do "tia, por favor, não escreve "pau" que eu fico constrangido" muito (muito!) literalmente, é melhor fechar seu blog, ok?

"Você é goy mas é meu amigo"

Muitas coisas na cabeça, inclusive o judaísmo como cultura. Mas danem-se.

Todas as festas são mesquinhas e falsas, exceto os casamentos. Nos casamentos, até o austero pai da noiva perde a noção em algum momento e dança YMCA. Afinal, não precisa provar nada pra ninguém. E se você acha que no casamento se celebra os noivos, você é burrro. No casamento se celebra a civilização.

Aliás, falando em civilização, minha querida Julia, como eu, também a define, mesmo sem saber.

sexta-feira, março 16, 2007

Modernidade

Daí eu ouço uma música e penso em você e me vem uma preguiça. E fisofia moral também. E o Mito de Sísifo. Daí eu eu aperto ">>" e rezo para o shuffle me ajudar.

Queria que você também tivesse um botão ">>". E todas as outras coisas do mundo.

Continuando

Porque o aquecimento global é a nova estação do ano. Fica entre o verão e o outono. Sério. As pessoas ainda não perceberam, mas assim que o fizerem veremos todos uma nova configuração da vida humana quanto aos hábitos anuais dos homens (e mulheres!) humanos. Dos ursos também, com o agravante de terem eles que resolver o problema da duração do período em que hibernam.

Mas será outro mundo, isso sim. Pouco diferente desse em que vivemos, mas outro. Haverão comerciais de TV com a Gisele Bündchen, Daniela Sarahyba ou a Carla Perez mostrando a coleção verão-aquecimento global da C&A (não sei se vão ter o negão). Surgirão ditados bacanas do tipo "Amor de aquecimento global não sobe a serra". E se os astrônomos foram capazes de destituir Platão da sua condição de planeta por que não poderiam inventar o solstício de aquecimento global? E os trailers de filmes terminarão com uma tela escura e a frase "Global warming, 2008".

Meninas, preparem-se. Vocês terão que comprar todo um novo guarda-roupa.

quinta-feira, março 15, 2007

Mais uma

Porque a nova brincadeira do verão (e do outono e do aquecimento global, que virou uma das estações do ano, a estação surpresa) é pegar o cara de uma profissão e colocar em outra. E depois ver aonde esse exercício de imaginação te leva. Eu começo, vocês continuam.

Marcelo D2, literato:
- Primeiro livro: "À procura do parágrafo perfeito."

sexta-feira, março 09, 2007

Now I see

Isso aqui tá que nem os arquivos de Moscou, só que pior.

Providência, previdência, acaso, o caso

(Dos rascunhos do blog, há um mês)

Providência/acaso. Não escreveria se não o radio não tivesse, no caminho de volta, insistido em Ticket to Ride.

Previdência. O bom senso manda não escrever o me sai da cabeça.

O caso. O caso se resume em uma escolha léxica: godspeed, goodbye ou farewell? Lembrando, é claro, dos versos em Don't Think Twice It's Allright. Meus desejos mais sinceros ficam com godspeed.

quarta-feira, março 07, 2007

Lição de casa

Imaginem vocês aí o que o pessoal do Sex and the City faria com:

- Tristão e Isolda
- Dom Casmurro
- A Sociedade do Anel
- Harry Potter e a Pedra Filosofal
- O Poderoso Chefão
- Xuxa e os Doendes

Imagination

Se você estiver a fim de sacanagem, leia o que o Milo Manara fez com As Viagens de Gulliver. Quer o link? Toma.

Se você realmente quiser sacanagem, faça como eu: imagine o que os roteiristas de Sex and the City fariam com As Viagens de Gulliver.

"Kate Gulliver é uma colunista de sexo que entra numa viagem muito louca e acaba se metendo em grandes confusões. Ela visita a ilha dos homens pequenos. E a dos homens grandes. E uma cidade no céu cheia de invenções que ajudam as pessoas, que proporcionam prazer. E no fim, ela acaba numa cidade dominada por cavalos."

A chamada seria assim. Na Sessão da Tarde, ou na HBO, ou no canal pornográfico

domingo, março 04, 2007

"Respeita minha arte, mano!"

Tinha um colega de escola que era artista. Não desse jeito que vocês estão pensando, artista mesmo: tirava umas fotos, fazia umas montagens fotográficas e usava umas roupas estranhas. Lembro que uma vez ele explicava a um professor qual era seu processo de criação.

- Então eu escolho um fundo assim pra imagem. Se eu acho que tenho que dar uma pintada nele, eu pinto e tal. Daí eu coloco um objeto desses assim, mas aquele lado fica meio vazio então eu coloco uma coisa lá e faço uns ajustes.

- Mas porque você faz esses ajustes e coloca esse objeto e não aquele.

- Porque assim é mais bonito.

- Como você sabe que fica mais bonito?

- É... Na verdade eu não sei.

- Mas porque você monta o negócio assim, então?

- Porque eu quero.

Se você fosse muito inteligente, você não entendia a arte dele.

sábado, março 03, 2007

Salvarei o mundo com estas palavras

Ando pela realidade com um aborrecimento medonho. As coisas já aconteceram, já se repetiram como tragédia, já se repetiram como farsa e continuam a se repetir. Eu que já classifiquei a situação como uma cópia mal feita de um dos seriados do Aaron Spelling (nem ao menos dos bons, tipo Barrados no Baile; mas dos ruins, tipo Melrose Place), estou passando a acreditar que tendemos todos a algo ainda pior. A repetição tornar-nos-á um sketch (eufemismo) do Zorra Total. E o Wander Wildner nem tem música com alusões ao Zorra Total. Que isso sirva de aviso.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Um pint de Guinness e meio de Old Speckled Hen

Deus está nos detalhes. O homem é feito à imagem de Deus. Completem vocês o silogismo. Saibam, ademais, que são nos pequenos detalhes que se entregam. Pequenas frases soltas, sorrisos meio que escondidos, variações nas escolhas das palavras; pequenezas, enfim.

Além disso, defino a civilização: civilização é quando chega o Natal e você leva seus filhos para o ballet, ver o Quebra-Nozes.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Postulado

Leap of faith - faith = Free-fall

Remember Ittennaig

Não escrevo há quase uma semana e as primeiras palavras que transbordam da minha alma escorrem e entram no ralo dos rascunhos. Pensava sobre Adão, Eva, o direito e a economia.

Mas então as associações foram ocorrendo e então estava eu com Domenico De Masi na mente. Porque o mundo é dessas coisas. Quando menos se espera o Domenico De Masi aparece na sua cabeça e daí é melhor tomar uma cerveja.

Uma cerveja para tirar as preocupações da minha cabeça: aquelas concernentes ao Domenico De Masi e aquelas concernentes a você (não você, você!).

terça-feira, fevereiro 13, 2007

É ninivita!

O dia traz consigo novidades musicais. Das boas. Barbada! Uma são velhos conhecidos; outra, duas bandas do outro lado do Atlântico. Mas todas elas expressas na última flor do lácio.

Os Ninivitas. Demasiado religiosos para os pagãos e demasiado pagãos para os religiosos. Me tocou em especial a música "Desliga a TV", com os belos versos: " Pessoa pode tornar-te noutra pessoa/ A poesia portuguesa tem muita coisa boa/ Mas e que tal a prosa bíblica ou um salmo, meu irmão?/ O Saramago é bom mas não te dá a salvação." Ah é, a música termina no corinho: "Quem tem medo do Lobo Antunes, Lobo Antunes, Lobo Antunes."

Também da terrinha vêm as Velhas Glórias. Descritas simplesmente como "Sexo, Drogas e Roquenrole, mas sem as drogas e sem sexo pre-marital." Panque-roque, puro.

Por fim, temos a volta dos (Hey, hey, hey) Garotas Suecas. Quatro novas canções aqui. Não me confirmaram, mas creio que três das canções ("Acho que estou me tornando um zumbi", "Efervescente" e "Mademoiselle") sejam, respectivamente, bad trips de seus compositores. Não me alongarei nessa hipótese, contudo.

domingo, fevereiro 11, 2007

Anti-ácido

(Tirado dos rascunhos do blog).

Tem gente que não sai de casa sem guarda-chuva. É um hábito ponderado - boa escolha léxica, me diz minha consciência literária. Tem gente que não sai sem um livro. Tenho muita vontade de fazer isso, mas meus hábitos de leitura não são compatíveis com uma estratégia dessas. Aparentetemente, não consigo parar um texto no meio. Tenho que ler o capítulo até o fim, ou até alguma pausa ou algo que o valha. Tem também aqueles que não saem sem um terço no bolso ou um walkmen/MP3 player, gaita, bloco de anotações, o que quer que aplaque o tédio, a espera ou a alma. Eu, pessoalmente, estou considerando andar por aí sempre com anti-ácido no bolso. Enfrentar algumas pessoas, filas, comunidades do Orkut me provoca um certo rebuliço estomacal. E como estamos em um ótimo tempo para os donos de bar um pouco de anti-ácido pode vir muito bem a calhar.

Anti-ácido.

Ou um iô-iô. Ou os dois.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Leiam agora, concordem depois

Borat é o Jar Jar Binks que deu certo.

E tenho dito.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Uma década

Há dez anos, eu tinha dez anos a menos do que hoje. E também achava animal quando a Marvel matava/mandava para um universo paralelo todos os heróis e fundia o Professor Xavier com o Magneto. Tudo isso pra dizer que eu não tinha grande noção do que era Paulo Francis quando o próprio morreu. E por mais que hoje eu ainda não tenha grande conhecimento sobre sua carreira e obra, como não idolatrar um cara que canta o samba da reforma agrária?

Detalhe para Martim Vasques da Cunha aprontando na gravação.

domingo, fevereiro 04, 2007

Quero ver quem paga

Provo que Brasil e Civilização constituem incompatibilidade lógica. O método é a reductio ad absurdum (redução ao absurdo).

Supõe-se que o Brasil é civilizado. Sendo o Brasil civilizado, a final do Brasileirão tem um mega-evento no intervalo da metade do jogo. Os times vão para o vestiário e monta-se um palco bacanão no meio do Maracanã. Seguem-se os holofotes e lasers. Fogos de artifício também. Entra o artista, a música começa. A multidão no estádio canta o refrão em coro:

- Quando Deus te desenhou, ele tava namorando.

C.Q.D.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Mostra a sua cara

Abaixo temos Glauro Marcos, jornalista, protestando (ou melhor, potrestando) em frente ao Consulado dos Estados Unidos da América, no Rio de Janeiro. Mês passado, no Massachusetts, o lutador amador Cristopher Antal foi a um programa de TV e insultou os brasileiros que vivem na região, rasgou a bandeira do Brasil e urinou sobre o símbolo nacional. Tal foi a atitude que provocou a ação de Glauro, que, como se observa, urinou numa garrafa e jogou o líquido (pips) em um brasão americano.



Meus parabéns, pois, a Glauro Marcos que prova o que na verdade todos já sabemos: que jornalistas brasileiros são tão estúpidos quanto lutadores amadores norte-americanos de sobrenome Antal. Antal, porra, ANTAL.

Mas o comentário que eu realmente queria fazer é o seguinte: brasileiro é tão tosquinho, mas tão tosquinho, que nem pra mijar na bandeira dos Estados Unidos. Tem que fazer numa garrafinha e jogar em cima de um brasão.

P.S.: If you are from the CIA/NSA/US Immigration and happen to read this, please notice that the text above criticizes the attitude taken by the brasilian journalist. Moreover, the author would like to stress that he has only the best feelings regarding America. Thank you very much.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Coisa de jenho

Weird Al Yanconvic - Bob

Socorram-me subi no ônibus em Marrocos.

terça-feira, janeiro 30, 2007

My next pet

Meu próximo animal de estimação será uma tataruga, tal qual o foi com Darwin. Seu nome será Humanidade.

Perguntas retóricas

Mona: (singing “Blowin' in the Wind” with Lisa) How many roads must a man walk down, before you can call him a man…?

Homer: (interrupts out of nowhere) Seven!

Lisa: No, Dad, it’s a rhetorical question.

Homer: (trying to think) Rhetorical, eh? Eight!

Lisa: Do you even know what “rhetorical” means?

Homer: Do I know what “rhetorical” means?

domingo, janeiro 28, 2007

Utilidade pública

Hello! ma baby
Hello! ma honey
Hello! ma ragtime gal
Send me a kiss by wire
Baby, ma heart's on fire!
If you refuse me
Honey, you'll lose me
Then you'll be left alone
Oh, baby, telephone
And tell me I'm your own!

sábado, janeiro 27, 2007

2 x 1

Fecho a semana com saldo positivo. Ao menos em uma perspectiva aceleracionista por expectativas.

Do melhor pro pior. Terminei a primeira temporada de Lost, é pior do que eu esperava. Senti-me levemente enganado. E dizem que piora daqui pra frente.

E O Poderoso Chefão, parte III é melhor que o esperado. Bem melhor, aliás. A despeito do Andy Garcia. E ele levantou uma mão, olhou para ela, disse: "De um lado a gente tem Pacino," olhou para a outra mão com desprezo e continuou "do outro, Garcia!" pronunciando o primeiro nome com força e o segundo com hilariante superioridade.

E por fim, a grande surpresa: Nineteen Eighty-Four, George Orwell. Muito, muito mesmo, melhor que o esperado. Achei, de início, que fosse simplesmente homem versus totalitarismo, mas é muito mais, pelo menos para quem sabe ler. A última parte em especial. Foi direto pra lista dos preferidos.

Esse post foi uma bosta, não pensem que não tenho consciência disso.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Leave the gun, take the cannoli

E todas as conclusões que não escreverei aqui. E nem estão salvas como rascunho.

E também muito na minha cabeça. Porque a verdade é objetiva, inobstante aquele trecho de Nineteen Eighty-Four em que se tortura uma pessoa até que ela acredite que quatro dedos são na verdade cinco. Na verdade?

Porque a verdade é objetiva e uma só. E prega peças, convenhamos. Se você acha que tal pessoa é louca, provavelmente a única alternativa que realmente está excluída é que vocês duas são pessoas sãs. "Sanity is a full-time job," como diria aquela banda dos meus quinze anos de idade, mas agora estou apenas enrolando.

E o papel que tem a intuição no processo de conhecimento.

E Paris, como não (link cedido por Mano)? E a modernidade, como sim?

E toda a filosofia moral que há nos quotes d'O Poderoso Chefão.

sábado, janeiro 20, 2007

Porque eu não sei quando parar

E daí o cara do post anterior vem conversar com você, trocar umas idéias. Discutir o capitalismo, os pobres, falar sobre o que está errado no mundo. Não se acanhe. Faça assim: (1) coloque o dedo no nariz; (2) mexa bastante; (3) pergunte: "Isso é bonito?"

O bacana responderá alguma coisa. Você pode continuar com: (a) "então exitem coisas bonitas e existem coisas feias," ou com (b) "então vou continuar cutucando meu nariz, beleza?"

Se o cara, insistente, prosseguir, um murro na cara, daqueles que se bem dados desfiguram. De-lho e pergunte "Isso foi certo ou errado?"

Perdão, não devia estar escrevendo essas coisas. São o vinho e o poker falando.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Não faço questão de ganhar...

Abaixo a lista dos países com os iPods mais caros (modelo Nano de 2 GB):

1. Brasil 327,71
2. Índia 222,27
3. Suécia 213,03
4. Dinamarca 208,25
5. Bélgica 205,81
6. França 205,80
7. Finlândia 205,80
8. Irlanda 205,79
9. Reino Unido 195,04
10. Áustria 192,86
11. Holanda 192,86
12. Espanha 192,86
13. Itália 192,86
14. Alemanha 192,46
15. China 179,84
16. Coréia do Sul 176,17
17. Suíça 175,59
18. Nova Zelândia 172,53
19. Austrália 172,36
20. Taiwan 164,88
21. Cingapura 161,25
22. México 154,46
23. EUA 149,00
24. Japão 147,63
25. Hong Kong 147,35
26. Canadá 144,20
Fonte: CommSec, Apple

Mas você é politizado, tem opiniões desde os treze anos de idade e trabalha numa ONG desde os quinze, para devolver algo à sociedade. Você é contra a ALCA, por um Brasil melhor. No fundo você só não quer que os pobres tenham o mesmo iPod que você, seu elitista filho da puta.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Visions of Johanna




In the empty lot where the ladies play blindman's bluff with the key chain
And the all-night girls they whisper of escapades out on the "D" train
We can hear the night watchman click his flashlight
Ask himself if it's him or them that's really insane
(Bob Dylan)

terça-feira, janeiro 16, 2007

We learn to live and then we forgive



Quando eu me sinto especialmente feliz assisto a esse clipe. To keep things real. Hehehe.

Bob Dylan e Scarlett Johanson e Bound for Glory e carros dos anos 50 e vestidos mui graciosos e Ray-Bans modelo Wayfarer. When the deal goes down.

Mas preparai-vos: ainda descerei pela Highway '61. De Minneapolis a New Orleans.

domingo, janeiro 14, 2007

Whatever

Wishful thinking? Não quero acreditar no que me cheira ser a situação: falta de vontade ou então simples incapacidade intelectual. But, I am ,perhaps, being too harsh. Am I?

O fato é que Henry Miller continua sendo um dos meus autores preferidos. Ou melhor, a despeito dessa nova (que não é nova) configuração de mim mesmo, Henry Miller, conhecido pela minha pessoa depois da epifania (ha-ha), tornou-se um dos meus preferidos.

Mas me recuso a estar com a lata de lixo da filosofia. Me recuso, simplesmente.

E perguntar não ofende. Ofende sim, mas entre amigos estas coisas não ocorrem. Pergunte, ora.

sábado, janeiro 13, 2007

Haikai

Foucault?
Fuck out!
Morte da filosofia.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Nishgit, nischgit, nisch-git, sei lá



Mais DEVO para a galerinha. Para acalmar os ânimos e em manifestação de apoio ao Youtube. Ok, confesso, manifestação de deprezo pelos homens cordiais. Ademais, reitero o post abaixo. Mais como resignação do que como convicção, mas os dias passam.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Eufemismo

Eu gosto de exercitar a paciência, gosto mesmo. Adiar deliberadamente alguma coisa parece acalmar os ânimos e aplacar os desejos. Também obriga a rever, reconsiderar os ânimos e desejos. Hábitos salutares.

Meu leitor heckler, de aspirações freudianas, diz que é simplesmente masoquismo. Eu não creio que o seja. Creio, no entanto, que haja um pouco de medo de descobrir certas coisas ou enfrentar certas situações. Em suma, para aqueles familiarizados com a nova taxonomia psicológica desenvolvida pela minha própria pessoa e baseada n'O Mágico de Oz, sou leão e não macaco-alado.

domingo, janeiro 07, 2007

Dica

Esta é sincera (como se as outras não o fossem). Cerque-se de pessoas mais inteligentes que você, faz bem à alma. E se não souber o que é certo e o que é errado, pense no que é bonito e no que é feio. A intersecção é grande.

Mas essa é só minha opinião, eu posso estar errado.

sábado, janeiro 06, 2007

Distanciamento é essencial

Ia dormir, esbarrei nisso aqui. Até mais.

Todos os textos que eu não publiquei

A obra de Adam Smith, relativamente ao seu impacto na história das idéias, é pequena. Sabe-se, inclusive, que Smith antes de sua morte queimou muitos manuscritos. Aliás, queimar manucritos antes da morte não era algo raro entre os pensadores destas épocas passadas. Havia uma preocupação séria por parte destes com o que eles legariam para a humanidade.

Esse blog não deve ser levado a sério. Eu não o levo. É quase que uma questão metodológica, mas ainda assim há textos que ficam no rascunho. E frequentemente completos. Imagino se os posterei um dia.

E o que há nos rascunhos deste blog? De tudo, até trechos interessantes de livros por aí:

"Os erros de interpretação não residem, pois, somente, do lado daqueles --os hedonistas e "boas-vidas" em perene procura do prazer, que se deixam arrastar, em galope desabrido, no dorso de um onagro selvagem -- mas do lado daqueles também que se recusam a pagar o preço da sublimação, ao montar no burro." (J. O. de Meira Penna, O Elogio do Burro, pp. 102)


Há mais sobre mim e meus erros nesse trecho do que imagina sua vã filosofia. Preste atenção.

terça-feira, janeiro 02, 2007

sábado, dezembro 30, 2006

Saddam

Porque a falta de vontade de dormir (seria insônia?) me traz às letras. E porque resta o sentimento de que a comparação entre os tiranos de antigamente e os de hoje não é válida. Mas enfim, seguimos com a poesia.

Epitaph on a Tyrant
(W. H. Auden)

Perfection, of a kind, was what he was after,
And the poetry he invented was easy to understand;
He knew human folly like the back of his hand,
And was greatly interested in armies and fleets;
When he laughed, respectable senators burst with laughter,
And when he cried the little children died in the streets.

E, mudando de assunto, pergunto: é melhor a dúvida ou o silêncio?

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Perturbação 2

When You Are Old
(W. B. Yeats)

When you are old and grey and full of sleep,
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;

How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true,
But one man loved the pilgrim Soul in you,
And loved the sorrows of your changing face;

And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how Love fled
And paced upon the mountains overhead
And hid his face amid a crowd of stars.

Perspectivas econômicas para 2007

Conforme prometido.

Em 2007, do ponto de vista econômico, os agentes continuarão sendo racionais; o investimento permanecerá como chave do crescimento; emissões monetárias em proporções desaconselhavelmente grandes continuarão sendo inflacionárias e os ganhos de troca continuarão existindo.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

We'll always have Paris

**** ********** **** ******* ****** *** ** *** ******* *******, Paris Hilton ** ****** **** **** ***** ******. ******** *** ******* *** *** ******* ******* ** *** ****** **** ** *******.

Perturbação

The Hidden Law
(W. H. Auden)

The Hidden Law does not deny
Our laws of probability,
But takes the atom and the star
And human beings as they are,
And answers nothing when we lie.

It is the only reason why
No government can codify,
And verbal definitions mar
The Hidden Law.

Its utter patience will not try
To stop us if we want to die;
If we escape it in a car,
If we forget It in a bar,
These are the ways we're punished by
The Hidden Law.

Meeting
(W. B. Yeats)

Hidden by old age awhile
In masker's cloak and hood,
Each hating what the other loved,
Face to face we stood:
'That I have met with such,' said he,
'Bodes me little good.'

'Let others boast their fill,' said I,
'But never dare to boast
That such as I had such a man
For lover in the past;
Say that of living men I hate
Such a man the most.'

'A loony'd boast of such a love,'
He in his rage declared:
But such as he for such as me --
Could we both discard
This beggarly habiliment --
Had found a sweeter word.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Dica

"Calma, eu estarei lá com o bonde do bem."

Para separar o joio do trigo. É simples, como usualmente é. Pelo menos quando se tem os princípios em mente. Os bons desejam passar tempo com aqueles melhores que eles, gostam dos debates nos quais provavelmente serão derrotados, quando se percebem ignorantes desejam saber mais e mais. Os outros, não.

"“That,” said Cebes, “seems sensible. But what you said just now, Socrates, that philosophers ought to be ready and willing to die, that seems strange if we were right just now in saying that god is our guardian and we are his possessions. For it is not reasonable that the wisest men should not be troubled when they leave that service in which the gods, who are the best overseers in the world, are watching over them. A wise man certainly does not think that when he is free he can take better care of himself than they do. A foolish man might perhaps think so, that he ought to run away from his master, and he would not consider that he must not run away from a good master, but ought to stay with him as long as possible; and so he might thoughtlessly run away; but a man of sense would wish to be always with one who is better than himself. And yet, Socrates, if we look at it in this way, the contrary of what we just said seems natural; for the wise ought to be troubled at dying and the foolish to rejoice.”"(Platão, Phaedo, transcreveria em português se não estivesse distante dos meus livros)

sábado, dezembro 23, 2006

A política em 2006

Escrevo porque alguns leitores (mentira) cobraram de mim sobre as declarações do Presidente segundo as quais quem é de esquerda e velhinho tem problema. Mas aproveito para também prosseguir com a retrospectiva 2006. Tudo isso em um único texto: uma comparação anatômica entre os principais candidatos à Presidência da República.

O Presidente afirmou: "se você conhecer uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque ela tem problemas". Na minha modesta opinião, não passa de uma releitura barata do adágio:

"Aos quinze anos quem não é socialista não tem coração; aos quarenta, quem não é liberal não tem cérebro."


Pois bem, aos quinze anos o presidente não era socialista, mas aos quarenta o era.

Balanço geral:

O Presidente não tem:

- 1 dedo;
- Coração;
- Cérebro;
- Um fígado em perfeito funcionamento;
- Vergonha na cara;
- Não está no Kansas.

O candidato da oposição não tem:

- Cabelo;
- Inteligência política;
- Carisma;
- Coragem.

A primeira-dama tem:

- Sapatos vermelhos.

Retrospectiva 2006: a política no Brasil se tornou uma síntese bizarra d'O Mágico de Oz.

E semana que vem: perspectivas econômicas para 2007.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Elvis

Hoje eu mandei um email assim:

Prezado Comunista,

Muito obrigado pelo video. É sensacional, muito emocionante! Desejaria-lhe feliz natal, mas como eu sei que é uma comemoração burguesa não o farei. Desejo-lhe, contudo, um feliz ano novo pois essa é a época em que o planeta completa uma REVOLUÇÃO ao redor do sol.

Abraços,
Rato

O video em questão é esse:

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Mau-humor

Prestem atenção, pois o que vem a seguir do ponto de vista lógico não faz o menor sentido.

Como todos são loucos, irracionais, problemáticos, eu não os consigo entender. Logo, sou incompreendido, exceto por três pessoas.

Só três pessoas são capazes de me entener, então. Duas delas só existem na minha imaginação e têm seios um tanto quanto desproporcionais. A terceira sou eu.

Nevertheless, esclareço que sou perfeitamente compreensível. Sou são, racional e não-problemático. Já todos são incompreensíveis mesmo, envoltos em algum mistério. Porque, afinal, há coisas que a mente humana simplesmente não consegue entender.

Termino com os versos perdidos de Edgar Alan Poe:

Quoth the raven
"Eu quero mais é que vocês se explodam"
(Menos você, você, você e você
Eu gosto de vocês).

domingo, dezembro 17, 2006

Não seja Mickey, meu amigo

Se você um dia já se descreveu com a frase "Ah, eu adoro ler um bom livro," você é um idiota.

"Veja bem meu senhor, nas horas livres eu adoro ler um livro ruim."

Tem gente que adora ler livro ruim, mas elas não sabem disso. Tampouco saem por aí dizendo isso, obviamente.

Poder de síntese

Retrospectiva 2006:

Plutão não é mais um planeta? Foda-se. O Brasil não é mais um país e vocês não estão comentando por aí.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Hear the trumpets, hear the pipers

E as notícias me fazem perguntar:

Cadê a escada dourada? Cadê a escada dourada? Um cara fazendo CPE do meu lado desapareceu do nada. Fodeu.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Highway '61 revisited

Now the rovin' gambler he was very bored
He was tryin' to create a next world war
He found a promoter who nearly fell off the floor
He said I never engaged in this kind of thing before
But yes I think it can be very easily done
We'll just put some bleachers out in the sun
And have it on Highway 61.
(Bob Dylan)

terça-feira, dezembro 12, 2006

Entenda o que quiser

O fim de ano carrega consigo o sentimento de que o mundo vai acabar. Estou apreensivo. E não é por causa do Advento.

Porque quem fica no meio do tiroteio acaba tomando uma bala perdida.

Será que em 2007 a moçadinha vai perceber umas coisas? Ter umas epifanias? Não sei, tomaram muito leite com pêra durante a vida.

E sexta-feira: Garotas Suecas.

E em breve: Extinção.

domingo, dezembro 10, 2006

Stuck inside of mobile with the Memphis blues again


Well, Shakespeare, he's in the alley
With his pointed shoes and his bells,
Speaking to some French girl,
Who says she knows me well.
(Bob Dylan)

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Escolha um título

Porque a intuição faz parte do processo de conhecer. Faz mesmo? Anyway...

Eu fico me perguntando se há algo por trás da falta de formalismo ou se é pressa, o que no caso nos learia à questão se há algo por trás da procrastinação. Há sempre algo por trás? Particularmente, não sei se gosto muito dessa pergunta, ou melhor, do caso em que sua resposta é afirmativa, não é uma explicação simples. Ou bonita. Explicações simples e/ou bonitas são preferíveis às complexas e feias. Obviamente, devem ser explicações. Não vale preferir uma teoria que não explica nada (ou explica tudo) só porque ela é simples, you morons.

Mas existem aqueles (e aquelas, este blog não carrega preconceitos sexuais) que mesmo com tempo sobrando ficam aquém no formalismo. Coisas simples como o desrespeito à norma culta (não no sentido do modernismo, seus filibusteiros - obrigado, Capitão Haddock). Eu acho que tem algo por trás disso, não sei o que, mas tem.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Ranting

Ou de como o modernismo estragou a língua. Essa coisa que, aliás, vem ditando as polêmicas nessa semana que acaba.

Porque a sacada da metáfora é a existência de uma intersecção no campo semêntico de duas palavras diferentes. Decorre que se pode se referir a uma delas pela enunciação da outra e, dado um autor minimamente competente, essa intersecção faz com que as pessoas, suposta mais uma vez a competência mínima, entendam uma coisa pela leitura da outra.

Decorre também, e isso é mais importante, que se não há essa bloody intersecção não existe espaço para a metáfora. Ou seja, quando você escreve no Orkut que "A Dé é jaboticaba" você não está mostrando para as pessoas como sua inteligência. Fim de papo. Away.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Grandes encontros da humanidade

- Grécia antiga, Sócrates encontra Platão, nasce a filosofia.

- França século XVIII, Adam Smith entra em contato com as idéias dos fisiocratas, de volta à Escócia escreve a Riqueza das Nações, nasce a economia.

- Nova York, bastidores do programa de Ed Sullivan, década de 1960, os Beatles encontram Bob Dylan, o rock muda completamente.

- Las Vegas, 2006, Britney Spears encontra Paris Hilton...

segunda-feira, novembro 27, 2006

Abbey road, faixa quinze

O Tio Rei diz que não faz questão de ganhar, apenas de estar certo. Eu também. É mais uma daquelas escolhas acertadas que fazem sua vida ficar um pouco pior, que trazem preocupação.

Problemas difíceis não têm solução fácil. É impossível resolver de forma fácil um problema difícil. É o Teorema da Impossibilidade de Rato. Porque, afinal, é pelo processo de resolução que se deve resolver o problema. Os meios e os fins são coisas bem mais próximas do que se admite. Máxima olímpica:

"The essence lies in not in the victory but in the struggle."

sábado, novembro 25, 2006

Prosseguindo

Continuando com a programação normal. O fogo que meu amigo P. roubou.

É tudo muito simples, na verdade. Independentemente das sociedades das abelhas, das matilhas de lobos e do número de neurônios que têm os golfinhos. Não se pode comparar Sócrates, Platão e Aristóteles com Lassie, Flipper e Rin-tin-tin.

E por mais que saibam manipular os donos, os cães não têm consciência de sua inevitável morte. Caso contrário, não abanariam o rabo com tanta frequência. Pararei por aqui visando evitar algum insulto.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Será?

Eu ia escrever sobre o fogo dos deuses que Prometeu roubou e entregou aos homens. E como ela sabe disso quando eu menciono Prometeu, o fogo dos deuses e os homens. Ou sobre aquela outra, a esquina da Rua Bennet com a Rua Orobó, os deuses do Olimpo e a minha cara sendo tirada. Mas me deparei com isso aqui e restaram as perguntas:

É ou não é? São ou não são? Língua?



E, logo, todos os outros assuntos ficam pra amanhã.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Notícias

Paris + Britney - Calças = Post

quinta-feira, novembro 16, 2006

R.I.P.


Hoje morreu Milton Friedman, aos noventa e quatro anos. Liberals live longer, foi o que disse Friedrich Hayek, outro dos grandes e amigo do Uncle Milt. Que ambos descansem em paz.

"Underlying most arguments against the free market is a lack of belief in freedom itself"

terça-feira, novembro 14, 2006

Profecia

Um dia vai chover inteligência e a humanidade, sem saber o que fazer com ela, vai se afogar. Eu estou construindo minha Arca de Noé.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Desolation Row


Cinderella, she seems so easy
"It takes one to know one," she smiles
(Bob Dylan)

domingo, novembro 12, 2006

Versalhes

O Palácio de Versalhes continua de pé. Pode-se visitá-lo viajando para Paris ou procurando cuidadosamente pela internet. As intrigas palacianas continuam provocando prazeres baixos naqueles incapazes dos prazeres altos. Os bailes e as caminhadas pelos jardins ainda existem, mutatis mutandis. As frases que são ditas na frente de todos e aquelas que só são ditas em grupos pequenos também. Os nobres não são mais os mesmos, mas continuam igualmente inúteis e despreparados para qualquer coisa que não a vida palaciana. A Revolução Francesa matou o Rei, a Rainha e desapropriou a nobreza. Capturou os primeiros enquanto estes fugiam de seus problemas indo para o exterior. Matou uns milhares deles próprios também, mas essa é outra história. Vox populi...

Porque, ao contrário do que Karl disse por aí, a história não se repete na primeira vez como tragédia e na segunda como farsa. A história se repete como uma encenação tosca das peças de Shakespeare. Os leais súditos que querem apenas usurpar o trono, os outros que enunciam contrários para pessoas diferentes, o monarca que faz planos que fatalmente dão errado, aquele correto e genuinamente leal que acaba executado por ordem do Rei.... Estão todos aí.

sábado, novembro 11, 2006

É o horário de verão

Postulado:

Afirmar que a vida não examinada não vale a pena ser vivida não implica afirmar que a vida mau examinada o seja.

Tampouco a vida mal examinada, by the way. Mas decorre que pode-se entender, ou dar alguns passos nessa direção, as pessoas na medida em que elas examinam a vida. Do exame saem as prioridades, os pensamentos e os interesses. E a partir disso entendemos as pessoas. A tese de doutorado de Marx tratou de Epicuro e Demócrito, por exemplo. E assim também entende-se as pessoas por aquilo que elas escolhem expressar. E é esse o grande problema da espiral de irrelevância. Porque, after all, o esqueminha "emissor-mensagem-meio-receptor" funciona. E também porque tratar de Epicuro é, inescapavelmente, não tratar de Platão, Aristóteles, pornografia, Lou Reed, futebol (futilbol?). Custo de oportunidade, como chamam os iniciados na ciência lúgubre.

Peço desculpas, é o horário de verão que me faz fazer essas coisas.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Whatever

Porque eu tenho que escrever alguma coisa. Na verdade eu não tenho, mas acho que seria bom postar alguma coisa agora. Mas tá difícil, viu? O Julio Lemos faz tão melhor do que eu. E muitas vezes sobre as mesmas coisas. O que me deixa incomodado porque não faz muito tempo que eu terminei de ler O Náufrago e lá o joe se mata porque não conseguia tocar piano que nem o Glenn Gould. É verdade que colocar o Glenn Gould (e o Thomas Bernhard) no meio desse texto que eu escrevo só para escrever alguma coisa é um, humm..., disparate. Oh well... Mas ficam, enfim, mais uma vez, meus parabéns ao blog do Julio Lemos. Leia-o. Se fores intelente o apreciarás. Se não o fores não o apreciarás. Simples assim. E se vieres com "Rato, esse blog do Julio Lemos nem é tão bom assim, " receberás como resposta "Burro!" Daonde concluo que se você não quiser ser chamado de burro e, porventura, desconfiar que não vai gostar do blog do Julio Lemos, não o leia e simplesmente comente abaixo algo do tipo "Gostei." Termino com uma citação do Pynchon que, confesso, deixei passar pela primeira vez que a li, mas é muito boa e elucidativa e também com uma foto de eu, meu amigo Bretton e algumas bolas de sorvete de Guinness (a cerveja). Eu recomendo.

"But it was a neat theory, and he was in love with it. The only consolation he drew from the present chaos was that his theory managed to explain it." (Pynchon, V.)


terça-feira, novembro 07, 2006

Análise de equilíbrio

Eu fiz isso em alguma aula há algumas semanas.



Porque chega uma hora em que até a internet enche o saco.

Suzanne não é Susanne

Enquanto eu me vicio em Suzanne de Leonard Cohen ("And just when you mean to tell her / That you have no love to give her / Then she gets you on her wavelength / And she lets the river answer / That you've always been her lover") - música, aliás, embriagante, para dizer o mínimo - Dane me manda um scrap pelo Orkut contando um sonho que teve.

O sonho vai e vem e há no carro dela um frasco de remédios que eu esqueci lá: "algo tipo fluoxetina." Como o Código Jedi não tem um capítulo sobre farmacologia (OK, vou tentar falar menos do código daqui pra frente), fui procurar o que a fluoxetina faz e em quais medicamentos é possível a encotrar. Resumindo, a Dane ainda tem que me explicar porque o subconsciente dela acha que eu tomo fluoxetina e eu estou grato que não era sildenafil. Tudo isso enquanto eu me vicio em Suzanne do Leonard Cohen. Presságio?

Enquanto eu me vicio em Suzanne do Leonard Cohen, andam fazendo o que eu faço, por aí. Ou andam fazendo o que acham que eu faço, por aí. Melhor enunciado desse do que daquele jeito porque este blog não é hermético, está apenas codificado. Mas se está em um código que apenas o autor saiba, não seria por isso hermético? Não, não seria. Nada de mais, para falar a verdade.

E ai de quem comentar sobre Susanne do Weezer, ok?

sábado, novembro 04, 2006

Eu disse, eu disse

"Quando se preza pelos fundamentos – no fundo, a trilha sonora dos Flintstones – até o nonsense tem sentido. É possível brincar de Monty Python, mas não é possível ser feliz com a mentalidade de Graham Chapman ou Eric Idle. Lewis Carroll e metade dos ingleses magrelos do início do século XX são tristes, inconsolavelmente tristes. Mas eles produziram obras-primas, de longe superiores em charme ao surrealismo francês, que é todo ele pretensioso (todavia *amiable*). O espírito inglês, quando cria o sem-sentido com senso de humor, está em uma espécie de ápice, conquanto numa ressaca; mas é preciso livrar-lhe de alguns dos seus pressupostos. Só mesmo um 'místico' inteligente, no sentido chestertoniano, pode apreciar a maravilha do nonsense." (Morte pela água)


Eu disse que o blog dele era melhor que o meu.

sexta-feira, novembro 03, 2006

A modernidade

Porque o processo histórico é preparado na cozinha de Cronos. Os assistentes de Cronos são um a um escolhidos para fazer os componentes da história. Um deles é encarregado do prato principal, os fatos. Liga o fogão aquece os ingredientes, algumas mortes, guerras, invenções. Termina tudo e fala "Away chef!" E assim por diante. Cronos junta tudo no prato e faz uma vistoria antes de mandar a refeição para o cliente.

E a modernidade não foi criada de jeito diferente. Preparou-se o prato principal, as entradas, os acompanhamentos. O molho, um caldo gostoso, foi preparado pela baiana que Cronos acabara de contratar. Negra, gorda, vestida de branco, cometeu um ou dois equivocos na preparação do molho. Desconsolada, falou para o chef.

"Ih, seu Cronos, o zaitgaist desandô!"

"Não faz mal, não faz mal!"

quinta-feira, novembro 02, 2006

Zeitgeist

"When the historical process breaks down and the armies organize with their embossed debates the ensuing void which they can never consecrate, when necessity is associated with horror and freedom with boredom, then it looks good to the bar business."
(Auden, W. H., The Age of Anxiety: A Baroque Eclogue)



Os tempos são ótimos para os donos de bar. E Tatooine, lugar que vocês deviam visitar, é tão calmo. Digo,inclusive, que Tatooine está para os nerds como Innisfree está para os highbrow. Se não podem ir a nenhum desses lugares, fiquem com Glenn Gould e as Variações Goldberg. Mas não se iludam, estamos em uma guerra.

E em breve: Extinção.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Bem aventuradas são as tartarugas

O Código Jedi, esse auto-censor, me impediu de postar acerca dos determinantes filosóficos da minha falta de interesse em fotos e imagens. Resta a dúvida de que, talvez, não o esteja interpretando corretamente. Melhor para vocês que iriam ler mais uma vez aquelas coisas chatas de matéria e espirítio, imanência e transcendência, etc. Ia escrever mais alguma coisa mas esqueci o que. Sugiro então que leiam o blog do Julio Lemos que é melhor que o meu e, certamente, que os seus. Hora do almoço.

terça-feira, outubro 31, 2006

Vai ser gauche...

"Gutknecht, um parlamentar em sexto mandato, não está sozinho. Reublicanos que planejaram usar a baixa taxa de desemprego, os baixos preços da gasolia e um aquecimento do mercado de ações como uma arma contra o descontentamento com a guerra no Iraque e com os escândalos envolvendo congressistas estão desconbrindo que seus argumentos são pouco eficientes." ("Bush e seu partido perdem o apoio da classe média", Valor Econômico, 31/10/2006, A18)


PIB per capita do Brasil (2004): US$ 8.327,67 (em PPP).
PIB per capita dos EUA (2004): US$ 39.497,67 (em PPP).

The prosecution rests.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Visions of Johanna


But Mona Lisa musta had the highway blues

You can tell by the way she smiles

(Bob Dylan)

domingo, outubro 29, 2006

Não é ressaca

Porque esse laissez-faire é na verdade uma posição moral. Ele parte da premissa que cada um é responsável pelos seus próprios atos e livre para decidir e fazer (desde que não preudique diratamente um outro.... mas eu não preciso explicar isso pra vocês, correto?). O fato é que a parte do "Não dá pra viver tentando fazer os outros verem que tão errando" é uma questão periférica, o que nos concede muitas vezes uma quantidade desaconcelhável de problemas e inquietações.

Porque, ao contrário daquela menina bonitinha mas ordinária que seu amigo namorou por três anos (um de sexo e dois de tentativas de terminar a relação), essa posição não é nada fácil. Ela está bem longe da resignação. Se você é do tipo de pessoa que tem o cérebro e os colhões (ou os equivalentes metafórico-anatômicos femininos) para entender esse posicionamento e o levar adiante, você é do tipo de pessoa que percebe, na maioria das vezes, exatamente no que estão as pessoas errando. É ouvir uma frase, é olhar para um prato de comida ou um copo de bebida, é receber um convite para ir ao cinema em um daqueles horários as pessoas que acertam não vão ao cinema. Enfim, você percebe o erro e, moralmente, não se permite agir para o corrigir. No máximo tenta uma conversa que, de antemão, sabe que tem grandes chances de terminar não muito bem.

Se engana quem acha tal posicionamento confortável. Não há nada mais angustiante. E muita "esperança" (pra não usar aquela outra palavra que espanta a moçadinha nos dias de hoje) é necessária.

Agora, com licença, vou votar.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Só pra lembrar

Havia me esquecido daquela galerinha esperta do Olimpo que passa seu tempo livre tirando com a minha cara.

Justo hoje, quando me perguntaram: "Você acredita na providência?"

Providência, previdência, provisão, previsão. Podem continuar tirando com a minha cara. Whatever.

E sono, leitor(es), sono.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Os prazeres da literatura

"Abominava as pessoas que não refletem muito bem antes de falar, ou seja, abominava quase toda a humanidade."

(Thomas Bernhard, O Náufrago)

domingo, outubro 22, 2006

Nem sempre a imagem da besta

Acabei de assitir ao piloto de Studio 60 on the Sunset Strip e, confesso, ele deve um pouco aos episódios áureos de The West Wing. Explico: as duas séries são fruto da mesma pessoa, Aaron Sorkin. Continuando, ia dizendo que Studio 60 deve um pouco aos melhores episódios de The West Wing, como se Sorkin esteja ainda se aquecendo. Em outras palavras, o programa é só a melhor coisa na TV hoje em dia. O programa não emburrece o espectador, as atuações são competentes, as personagens bem construídas, os diálogos deliciosos. Bradley Whitford ainda tem um pouco de Josh Lyman, do mesmo jeito que Mathew Perry ainda tem um pouco de Chandler (e dele próprio), mas nada que chegue a impactar a qualidade do programa. E o texto, Deus salve o texto, é primoroso: inteligente, elegante, witty.

Obviamente, Studio 60 padece de todos os problemas e explora todas as vantagens dos programas de TV, mas o faz com uma classe inigualável. Não é aquele velho esquema "vamos-jogar-elementos-aleatórios-e-confusos-de-trama-para-prender-telespectadores" que ainda se percebe em vários programas por aí.

sábado, outubro 21, 2006

What goes on in your mind

What goes on in your mind?
I think that I am falling down.
What goes on in your mind?
I think that I am upside down.
Baby, be good, do what you should, you know it will work alright.
Baby, be good, do what you should, you know it will be alright.
I'm going up, and I'm going down.
I'm going from side to side.
See the bells, up in the sky,
Somebody's cut their string in two.
Baby, be good, do what you should, you know it will work alright.
Baby, be good, do what you should, you know it will be alright.
One minute born, one minute doomed,
One minute up, one minute down.
What goes on in your mind?I think that I am falling down.
Baby, be good, do what you should, you know it will work alright.
Baby, be good, do what you should, you know it will be alright.
(Lou Reed)


É interessante que nos quadrinhos (e nos meios dos super-heróis, em gral) os telepatas sigam, invariavelmente, dois tipos: os extremamente analíticos e os loucos ou soon to be loucos.

Ordenando as coisas, a idéia é que para ser telepata (ler/ver/presenciar o que se passa na mente dos outros) é necessária uma mente mais poderosa que todas as outras ou então a situação tende à loucura. Como se os telepatas incapazes de arbitrar entre o que é são e o que não, acabam por sucumbir à insanidade.

A questão relevante, contudo, é: mas essa relação ocorre apenas com os telepatas?

Se deu bem, Pol-Pot

No meu grupo de estudos favorito, o ano de 2007 começará com A República. Mas a república não sobrevive até lá.

No ground zero ainda encontram restos mortais do onze de setembro. Aliás, não entendo porque se chamam restos mortais. De mortais os restos não têm nada. Um dia tiveram, mas no presente momento nada mais têm. Enfim, cinco anos depois ainda encontram essas coisas por ali. Mas, como conclui (eu?) em uma discussão semana passada, "matança que não é feita pelos Estados Unidos não é matança." Quem é a medida de todas as coisas mesmo?

Na minha cabeça, eu procuro me controlar, me acalmar. Está funcionando, por hora. Não se preocupem, vocês serão os primeiros avisados se, porventura, o Código Jedi falhar comigo, ou, mais provável, eu com ele.

"Matança que não é feita pelos Estados Unidos não é matança." Os Estados unidos estão para a matança como a França está para o champagne.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Ódio incontrolável

"Ninguém dorme de sutiã - exceto, talvez, as francesas." (Scarlett Johanson)

Pessoas de bem! Homens honrados do planeta! Convoco uma cruzada para eliminar esse mal que é Michael Bay!

quinta-feira, outubro 19, 2006

Quem foi?

Ok, ok, muito engraçado! Gostei da brincadeira, foi divertido. Agora respondam. Quem foi o filho da puta que entrou no meu Orkut e, munido de um perfil falso, deixou um scrap dizendo que eu sou "bem gato"?

De resto tenho tido vontade de entrar em umas polêmicas por aí mas tenho me controlado. É o que manda o Código Jedi.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Primeiro encontro (revisited)

Saíram. Comeram e beberam. Riram e se divertiram. Ela até admitia que ele era um cara charmoso. Ele tinha certeza que ela era a mulher mais graciosa de todo aquele hemisfério.

Na volta, ele, cavalheiro que era, mas não apenas por isso, acompanhou-a até a porta de sua casa.

"Sabe? Eu gostei muito dessa noite," disse ela, olhar fixo nos olhos dele. "Eu também gostei muito," respondeu ele.

Ficaram se olhando em silêncio por alguns instantes, daqueles que parecem eternidades, sem saber muito bem o que fazer ou dizer. Ele, tentando contornar a timidez, começou "Se você fechasse os olhos e inclinasse o rosto um pouquinho pra esquerda, a noite pode terminar dum jeito perfeito."

Ela fechou os olhos e inclinou o rosto. O gracioso rosto.

"Esquerda, pô!" respondeu ele e saiu em direção ao carro. Afinal, como poderia se relacionar com alguém que não sabia o que era esquerda e direita. Só no meio do caminho que lembrou que a esquerda dela era a direita dele.

De volta

Estou de volta. Para falar a verdade, não queria tanto assim estar de volta. Faço-o mais por dever moral do que por alguma outra coisa. Como meu irmão Martim Vasques da Cunha sempre me recorda: "temos um país a por abaixo."

Um país a por abaixo. É fato que o Brasil sobreviveu à minha ausência. É fato também que o modo como escolhemos expressar as coisas pode passar impressões diferentes do que realmente aconteceu, mesmo que não enunciemos nada de falso. Também é fato que no Brasil piada precisa de tecla SAP. Enfim, dever moral e um país a por abaixo, muito bom. Não apenas um país, é verdade, mas isso é digressão.

In a related story, Paris, nossa estrela-guia, foi escolhida para integrar um clube diplomático contra as ações nucleares da Coréia do Norte. Sempre soube que a menina tinha futuro.

Por fim, sobre a estadia em Tatooine digo que não foi nada de especial. Uneventul, inclusive. Nada de novo também. Digamos apenas que Obi-Wan passou seu tempo estudando mais profundamente o Código Jedi. Volto melhor do que saí e, acredito, o blog recomeça melhor do que parou. Valem as velhas regras.


There is no emotion, there is peace.
There is no ignorance, there is knowledge.
There is no passion, there is serenity.
(There is no chaos, there is harmony.)
There is no death, there is the Force.